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Rotary volta seus esforços para luta contra o retorno da poliomielite

Rotariana Marie-Irene Richmond-Ahoua, presidente da Comissão da PólioPlus na Costa do Marfim, vacina uma criança contra a pólio durante uma cerimônia de boas-vindas do Dia Nacional da Imunização na vila de Messikro, Costa do Marfim, em 28 de abril de 2013. | Imagem: Site do End Polio Now

Rotariana Marie-Irene Richmond-Ahoua, presidente da Comissão da PólioPlus na Costa do Marfim, vacina uma criança contra a pólio durante uma cerimônia de boas-vindas do Dia Nacional da Imunização na vila de Messikro, Costa do Marfim, em 28 de abril de 2013. | Imagem: Reprodução/Site do End Polio Now

No mês de junho, o Ministério da Saúde lançou um alerta sobre a baixa cobertura vacinal contra a poliomielite. Aproximadamente 312 cidades brasileiras foram classificadas em estado de risco pelo Ministério da Saúde, pela vacinação não atingir 50 por cento da população. Para impedir o retorno da doença ao Brasil – onde está erradicada desde 1994 -, o Rotary está voltando seus esforços para o aumento da conscientização e da vacinação preventiva. Não existe cura para a pólio, apenas tratamento e a prevenção através da vacinação.

Confira a lista das 312 cidades em estado de alerta: Lista Pólio – Ministério da Saúde.

Em fevereiro, os coordenadores zonais brasileiros da iniciativa End Polio Now, Marcelo Haick e Pedro Durão, enviaram uma mensagem chamando os governadores distritais e líderes brasileiros do Rotary a aderirem a um programa distrital para reverter o panorama. O comunicado foi acompanhando de um relatório que alertava para o fato de que em muitos municípios brasileiros os índices de vacinação estão abaixo de 50%.

Estratégias sugeridas

O programa recomendado estimula as lideranças distritais, “em articulação com os presidentes dos clubes”, a elaborarem uma estratégia de ação a partir de três iniciativas: visitas a prefeituras e secretarias de saúde estaduais e municipais para reforçar o compromisso com as campanhas de vacinação; parcerias com entidades que possam facilitar o alcance às comunidades; e iniciativas para a conscientização e mobilização da comunidade, seja por meio de palestras em escolas, igrejas e associações de moradores, seja participando de eventos culturais.

O programa deve resultar, segundo o documento, com a mobilização de toda a Família do Rotary durante a campanha nacional de vacinação de 6 a 24 de agosto, com o dia D no sábado, 11 de agosto. A equipe de coordenadores tem mantido contato com o Ministério da Saúde e pretende desenvolver parcerias com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e a Sociedade Brasileira de Infectologia. O objetivo da parceria seria criar e divulgar vídeos institucionais.

Marcelo Haick e Pedro Durão também destacaram a importância do Fundo Distrital de Utilização Controlada (Fduc) para a causa. “O Rotary International está incentivando fortemente os distritos do mundo inteiro a doarem um mínimo de 20% do seu Fduc para a prioridade número um do Rotary, que é a eliminação da pólio no mundo”, eles informam.

Confira as etapas do programa de apoio à vacinação sugerido em: O grande desafio de 2018 – Rotary Brasil.

O Distrito 4730 prepara uma programação especial com relação ao combate à pólio, que será lançada em breve pela Governadora 2018-19 Isis Busse.

Oito cidades do Paraná estão em alerta de risco para poliomielite

De acordo com o Datasus, as vacinas contra poliomielite não alcançam a meta de vacinação no Brasil desde 2011. Em 2016, os municípios tiveram menor taxa de vacinação: apenas 43,1% das cidades atingiram a meta. Além disso, das vacinas que crianças de dois meses e quatro meses de idade devem tomar, a poliomielite tem sido a única que não consegue ultrapassar 85% de vacinados, seja na primeira ou na segunda dose.

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues, em entrevista à BBC News Brasil, a explicação pode estar em um possível esquecimento das pessoas sobre algumas doenças, antes frequentes no país, mas hoje controladas e menos visíveis. “A população de adultos de hoje precisa lembrar que sarampo e poliomielite matam. E se não matarem, deixarão sequelas graves para o resto da vida, como a paralisia infantil, a surdez, a cegueira, problemas neurológicos, etc.”, explica.

No Paraná, se encontram oito das 312 cidades sob alerta de risco: Carambeí, com 5,43% da população vacinada; Castro, com 6,88%; Piraí do Sul, com 9,25%; Ivaí, com 25,79%; Sengés, com 28,47%; Porto Amazonas, com 39,22%; Ipiranga, com 40,70%; e Campo do Tenente, com 44,53%. O estado de São Paulo é o que mais possui cidades em alerta. São 44 municípios abaixo da meta de 50% de vacinação.

Poliomielite

Esquema de replicação do poliovirus, agente causador da poliomielite | Imagem: Reprodução/microbiologybytes/Flickr

Esquema de replicação do poliovírus, agente causador da poliomielite. | Imagem: Reprodução / microbiologybytes / Flickr


A poliomielite ou “paralisia infantil” é uma doença infecto-contagiosa viral aguda. Ela se caracteriza por um quadro de paralisia flácida, de início súbito. O déficit motor instala-se subitamente e sua evolução não costuma ultrapassar três dias. Atinge em geral os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principal característica a flacidez muscular.

O vírus é transmitido pelo: contato direto pessoa a pessoa; pela via fecal-oral; por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores; ou pela via oral-oral – falar, tossir ou espirrar. A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária são fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.

País livre da pólio

O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão)”, explicou a Diretora do PNI, Carla Domingues.

No início do século XX, as doenças imunopreveníveis como poliomielite e varíola eram endêmicas no Brasil, causando elevado número de casos e mortes em todo o país. As ações de imunização foram responsáveis por mudar o perfil epidemiológico destas doenças no Brasil. Além disso, reduziu a circulação de agentes patógenos, causadores de doenças como a difteria, o tétano e a coqueluche.

Criança recebendo vacina contra a pólio em campanha de vacinação. | Foto: Reprodução/ Tomaz Silva/ Agência Brasil.

Criança recebendo vacina contra a pólio em campanha de vacinação. | Foto: Reprodução/ Tomaz Silva/ Agência Brasil.

“Vírus importado”

Vírus trazidos por fluxos migratórios de uma população que não o erradicou para um local que o havia erradicado são chamados de “vírus importados”. “Pessoas infectadas de países vizinhos que vivem surtos infecciosos estão migrando para o Brasil”, explica Domingues. “Com maior circulação de pessoas viajando, seja pelo turismo ou pelo comércio, vivemos a possibilidade de espalhar vírus antes controlados por todo o território brasileiro.”

Uma das razões para o alerta de risco do Ministério da Saúde foi a confirmação de um caso da doença na Venezuela, país vizinho do Brasil. Com o vírus da poliomielite reaparecendo em um país próximo e com as baixas taxas de vacinação, os riscos de contaminação aumentam.

De acordo com especialistas em imunização, o “vírus importado” só tem efeito quando encontra um indivíduo não imunizado. “Todas as doenças consideradas erradicadas no Brasil, mas que não estejam erradicadas no mundo podem voltar se a população não continuar vacinada”, afirmou à BBC Paulo Lee Ho, pesquisador do Serviço de Bacteriologia do Instituto Butantan.

Outro fator que ajuda explicar a volta de doenças que o Brasil já havia conseguido erradicar é o “efeito rebanho”. “A proteção oferecida pelas vacinas ocorre de duas maneiras: ela pode ser direta, pela imunização do indivíduo; ou por efeito rebanho pelo ambiente vacinado, por meio da vacinação de uma população”, explica Lee Ho.

O “efeito rebanho” acontece quando a taxa de imunização de uma população é tão alta que, mesmo que um indivíduo não se vacine, ele estará protegido vivendo naquele meio em que a maioria é vacinada. É o efeito rebanho que previne a ocorrência de surtos, epidemias e pandemias; afinal, é a maioria de uma população vacinada que impedirá a circulação dos agentes infecciosos naquele local, e não a vacina isolada em si. Quanto mais pessoas deixarem de se imunizar em uma mesma região, menos força terá este efeito – e doenças antes já controladas ali poderão voltar a ocorrer.

A varíola é a única doença considerada totalmente erradicada no mundo. Hoje, o vírus que transmite a doença não circula mais entre as populações mundiais. As únicas amostras que ainda existem estão armazenadas em poucos laboratórios autorizados, para serem usadas em estudos e pesquisas.

Rotary na luta contra a pólio

Em setembro de 1979, rotarianos e representantes do Ministério da Saúde das Filipinas acompanharam voluntários durante a vacinação de crianças contra a paralisia infantil, em Manila. James Bomar Jr., então presidente do Rotary, lançou oficialmente um projeto para imunizar as crianças das Filipinas contra a poliomielite. Ele e o ministro da saúde, Enrique Garci, assinaram um acordo no qual o Rotary International e o governo filipino se comprometiam a imunizar cerca de seis milhões de crianças contra a pólio durante vários anos, a um custo de US$760.000.

Leia também: A origem da nossa luta contra a pólio – Rotary.

Saiba mais e/ou contribua com a campanha End Polio Now: endpolio.org/pt.


A partir desse projeto, o Rotary International passou a se dedicar a erradicação global da pólio. Como resultado do empenho e dedicação ao longo dos anos, mais de 2,5 bilhões de crianças foram vacinadas. Desde o lançamento da campanha Pólio Plus, em 1985, houve uma queda de 99% no número de casos da doença em todo o mundo e foram destinados mais de US$1,7 bilhão à erradicação da doença. Atualmente, o vírus só continua endêmico em três países: Afeganistão, Nigéria e Paquistão.


Veja o vídeo “Por que importa zerar”: https://youtu.be/xheITaL96B8

Prevenção

Imagem: Reprodução/Ministério da Saúde

Imagem: Reprodução/Ministério da Saúde

São duas as vacinas que previnem a poliomielite: a VOP, Vacina Oral Poliomielite, aplicada via oral aos 2, 4 e 6 meses de vida, com reforços entre 15 e 18 meses e entre 4 e 5 anos de idade; e a VIP, Vacina Inativada Poliomielite, que tem injetada uma dose aos 15 meses e outra aos 4 anos de idade. Ambas as vacinas são oferecidas nas Unidades Básicas de Saúde.

Para os estados que estão abaixo da meta de vacinação, o Ministério tem orientado os gestores locais que organizem suas redes. Inclusive, uma das medidas possíveis seria a readequação de horários mais compatíveis com a rotina da população brasileira. Outra orientação é o reforço das parcerias com as creches e escolas. Isto porque estes são ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina, por envolver também os familiares.

O Ministério da Saúde ainda reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas de seus filhos; em especial, das crianças menores de cinco anos que devem ser vacinadas. “As vacinas ofertadas pelo SUS estão disponíveis durante todo o ano, exceto a da gripe que faz parte de uma campanha e exige um período específico de proteção, que é antes do inverno”, enfatizou Carla Domingues.

Confira o calendário de vacinação atualizado: Calendário de Vacinação – Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde realizará uma campanha de vacinação nacional contra pólio de 6 a 31 de agosto de 2018.

Fontes

Agência Brasil EBC – Vacinação contra a pólio começa em 6 de agosto;

BBC News Brasil – Sarampo, pólio, difteria e rubéola voltam a ameaçar após erradicação no Brasil;
Ministério da Saúde – Alerta: 312 cidades têm baixa cobertura vacinal da pólio;

Ministério da Saúde – Lista Pólio;

Rotary – A origem da nossa luta contra a pólio;

Rotary – Rotary e Fundação Gates realizam o quinto evento com transmissão ao vivo do Dia Mundial de Combate à Pólio, destacando o progresso da luta para erradicar a doença;

Rotary Brasil – O grande desafio de 2018;

Laís Adriana de Almeida

Laís Adriana de Almeida

Estagiária de Comunicação do Distrito 4730; Estudante de Jornalismo da UFPR.

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